Pedagogia

Terreiros do Brincar

Alguns anos atrás assisti ao documentário «Terreiros do Brincar» dirigido por David Reeks e Renata Meirelles.
A emoção passada pelo filme só se compara à minha esperança de um mundo melhor quando vemos com olhos de criança, ou seja a esperança de sermos adultos sem abandonar uma inocência capaz de nos tornar seres verdadeiramente amorosos.
Abaixo um trecho que encontrei no site deles. São muitas pessoas envolvidas, muitos educadores comprometidos com esse universo.
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Cena de Terreiros do Brincar Dirigido por Renata Meirelles e David Reeks
https://canalcurta.tv.br/filme/?name=terreiros_do_brincar

A Pedagogia do Movimento na Perspectiva do Lazer

Soraia Chung Saura

No premiado documentário “Bambeia”, de David Reeks e Renata Meirelles, três
meninos de 12 a 15 anos na Vila Juruamã, uma comunidade ribeirinha localizada próximo a Tefé no Estado do Amazonas, aparecem confeccionando piões de madeira.

O filme retrata o processo da confecção do brinquedo, desde a escolha da madeira na mata, até o objeto-pião em si e o seu jogo.
São meninos grandes e fortes, andam-olhando procurando árvore fina, matéria
do seu brincar. Sabem a que vieram: buscam “uma matéria justa, a matéria que pode realmente sustentar a forma”.

Revelam nesse caminhar honesto, de pés descalços, sua familiaridade com a
floresta. Sabem onde pisam e para onde vão, facão na mão, travessos, bonitos, gaiatos.

Um deles, encontrando árvore delgada dissimulada em meio a muitas outras, salpica a faca no tronco roliço e comemora: “Essa aqui é a boa, não tem leite, casca fina”.
E arremata emblemático, anunciando o porvir: “Dá um pião bonito, bem amarelinho, ôô madeira boa…”

Voltam assim para o terreiro, com a matéria prima ainda a ser trabalhada. Olho,
mão e silêncio. Habilidosos no manejar do facão, esculpem e buscam o arredondado, afinando na ponta. Os meninos não conversam entre si, absortos que estão em suasconstruções. Ouve-se apenas o trabalho ritmado de suas ferramentas.

Aparam arestas lixando com a língua do pirarucu. Da fricção incansável, nasce o brinquedo. Das mãos dos brincantes, a relação com o divino: momento de criação. Acariciam o objeto, conferem sua esfericidade, sua maciez. Martelam e afinam ponteira.
Medem no olho, perspicazes, buscam equilíbrio em todas as partes.
Pronto o brinquedo…

texto completo:

https://territoriodobrincar.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Soraia_Chung_Saura_A_pedagogia_do_movimento_na_perspectiva_do_Lazer.pdf

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