Visão Circular

Os primeiros gênios da arte brasileira

Portal da Igreja de São Francisco de Assis – século XVIII
Obra de Mestre Antonio Francisco Lisboa – o Aleijadinho

Nessa série de textos vou transcorrer por assuntos que sinto curiosidade, coisas que me fazem estar vivo.
Por exemplo:
De onde vem a cor?
Porque as coisas em movimento atrai tanto a gente?
E a emoção ao ver a pureza de uma criança em seus atos mais simples, onde nasce essa força?

A curiosidade quando se transforma num propulsor para ações é muito positiva.
E somos mais propensos, mais naturais quando agimos de forma circular.
Isso significa que o passado atinge o que fazemos no agora e o agora abre possibilidades para o futuro.

Recentemente visitei Ouro Preto essa força circular, capaz de alterar minha constituição mais profunda, minhas emoções. Uma história viva cheia de encantos mas também de desencantos.
A riqueza imaterial de gente talentosa mas e marcas de uma história sofrida.

Essa mistura me lembra um prisma de muitas faces. Ora nos mostra a luz, ora nos mostra a escuridão a partir de um mesmo corpo.

O mestre Antonio Francisco Lisboa, «o Aleijadinho» conseguiu transpassar esse ciclo ao estabelecer o início de uma arte brasileira, misturando os conhecimentos vindos da Europa com características inovadoras em terras mineiras.
Seu grande legado podemos perceber em muitas obras. Detalhe para sua liberdade em «distorcer» aquilo que era tradicional.
Colunas passam a girar, rostos expressando na pedra sabão e na madeira a realidade contemporânea de sua época.

Filho de uma negra africana escravizada e um pai português mestre empreendedor da arquitetura, fez circular essas culturas tão opostas numa visão unida pela arte.
Na Igreja de São Francisco de Assis (escolhida como uma das sete maravilhas da arte colonial portuguesa em todo o mundo) podemos ver diante do altar principal seu trabalho maduro que o faz ultrapassar os limites das regras:

«O Aleijadinho aqui subverte todo o tipo de arquitetura que tinha se visto até então, os gregos já tinham estabelecido um modo de arquitetura seguido por mais de 2.000 anos, e aqui um mulato de Minas Gerais isolado nas montanhas pode criar uma coisa da cabeça dele, uma coisa diferente, as colunas se torcem e se projetam para frente como se fundissem graças ao peso elevado do altar, mas é tudo falso, é tudo uma brincadeira do aleijadinho»…

Alex Bohrer (professor de história da arte) https://www.youtube.com/watch?v=3y_HHF9N9U4

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